Compreendo e concordo a afirmação abaixo. Só que não acredito que o controle, o cerceamento e mesmo o casamento venha resolver o problema da pedofilia não só na Igreja católica, mas em todas as religiões que pregam o o relacionamento sexual, como algo pecaminoso.
Ao escrever isto me lembrei de uma informação de Peter Brown (Corpo e Sociedade: o homem, a mulher e a renúncia sexual no início do cristianismo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1990. p. 16): "Na costa sul da Turquia, em meados do século C d.c, um padre cristão do templo de Santa Tecla, em Selêucia (atual Meryemlik, perto de Silifke), resolveu escrever uma versão aperfeiçoada da lenda da santa virgem. Apresentou Tamíris, o noivo rejeitado por Tecla, acusando S. Paulo perante o governador local por ter pregado a virgindade perpétua na cidade, e, com a virgindade, o abandono do casamento..." (p.16) E a partir transcreve as afirmações deste religioso, mostrando que o nascimento é a causa da existência do mundo ou, segundo este religioso, "a raiz e a fonte de nossa natureza".
O relacionamento sexual entre pessoas do mesmo sexo mais conhecido é a entre homens. Isto talvez se dê em face de a maioria dos estudos foi sido realizada por homens (com trânsito nas sociedades masculinas) ou porque os homens vivem no mundo público. Por este motivo conhecemos mais sobre a homossexualidade masculina que a feminina. Parece ser este o caminho que segue as informações que temos sobre a pedofilia.
No caso do mundo cristão, que tem em Paulo de Tarso (São Paulo) o seu verdadeiro construtor (Jesus foi um ícone). John Shelby Spong (Rescuing the Bible from Fundamentalism: a Bishop rethinks the meaning of scripture. San Francisco: Harper San Francisco, 1991) traça um perfil muito interessante de Paulo de Tarso; a sua importância faz com que ele ocupe dois capítulos com este personagem da história do cristianismo.
As palavras de Paulo denotam uma misoginia e segundo Spong isto se deve ao seu homo-erotismo e foi esta sua orientação que o levou a mudar de lado, de perseguidor ae militante do cristianismo, pois segundo Spong no cristianismo havia o perdão, inclusive ao que hoje se chama de homossexualidade..
Dentro da Igreja Católica há uma contradição (com conseqüências mais positivas que negativas) de que enquanto combate todas as formas de relacionamento sexual que conflitem com a sua visão, que parece ter como fonte a visão paulina, por outro lado dedica uma parte representativa dos seus esforços a tratamentos de soros positivos e outras questões paralelas.
Por trás disto, no entanto, existem os aspectos doutrinários, dogmáticos, contra as relações sexuais. E coisas semelhantes parecem acontecer entre os grupos evangélicos fundamentalistas.
A meu ver, a questão da pedofilia é uma das conseqüências desta contradição. Portanto, não será com boa vontade, ou com "espírito cristão" (existe?), que vá se resolver a questão da pedofilia.
Como estes problemas não são resolvidos através da educação sexual, mas através de grupos de militância, as pessoas se perdem sob a acusação de homofobia, quando há, na realidade, um movimento de heterofobia.
E assim, a pedofilia continua em terreno adubado.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1807200709.htm. Acesso em 18/07/2007.
São Paulo, quarta-feira, 18 de julho de 2007
RELIGIÃO
Pedofilia não é um problema só da igreja, declara Vaticano
DA REDAÇÃO
O Vaticano afirmou ontem, por meio de sua Diretoria de Imprensa, que, embora o abuso de crianças não seja um problema existente apenas na Igreja Católica, esta entende que deve ser uma protagonista na luta contra a pedofilia.
A declaração do padre Federico Lombardi, diretor de Imprensa do Vaticano, diz respeito a acusações de práticas de pedofilia por padres na Arquidiocese de Los Angeles (EUA), que resultaram em um processo judicial.
No último sábado o litígio chegou ao fim, com um acordo entre a acusação e a diocese, que pagará indenizações no valor total de US$ 660 milhões (cerca de R$ 1,23 bilhão) às cerca de 500 pessoas que se dizem vítimas de abuso. É o maior valor pago por uma diocese desde que veio à tona o primeiro escândalo de pedofilia da igreja nos EUA, em 2002, em Boston.
De acordo com a agência de notícias católica Servizio Informazione Religiosa, Lombardi disse ainda que tal acordo, com "os sacrifícios que comporta", é também um sinal da decisão da igreja de "fechar uma página dolorosa" e olhar adiante, para prevenir esse tipo de delito e criar um ambiente seguro para as crianças em todos os âmbitos da igreja.
Os casos de Los Angeles diziam respeito a acusações de práticas de abusos ocorridas desde os anos 40 até os anos 90. Segundo o arcebispo local, cardeal Roger Mahony, a diocese terá de vender propriedades para cumprir o acordo.
|
||
![]() | ||
![]() | ||
![]() | ||
|
||